O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta quarta-feira, 10, que pediu a expulsão do embaixador dos Estados Unidos no país, Philip Goldberg, acusando-o de apoiar a oposição conservadora e de querer a divisão do tumultuado país sul-americano. “O embaixador do Estados Unidos conspira contra a democracia e ainda busca a divisão da Bolívia”, disse Evo em um ato no Palácio do Governo, no qual condenou duramente a onda de violência, que incluiu ataques a gasodutos, promovida pela oposição em várias regiões.
“Peço ao nosso chanceler da República que envie hoje ao embaixador uma nota para que se faça conhecer a decisão do governo nacional, de seu presidente, para que retorne urgentemente ao seu país. Não queremos um separatista que conspire contra a unidade, que atente contra a democracia”, acrescentou o líder boliviano.
“Sem medo de ninguém, sem medo do império. Hoje, diante de vocês, diante do povo boliviano, declaro o senhor Goldberg, embaixador dos EUA, ‘persona non grata’”, continuou Evo, classificando Goldberg como “especialista em estimular conflitos separatistas.”
Segundo o presidente, o embaixador americano trabalhou entre 1994 e 1996 como “chefe de escritórios do Departamento de Estado para a Bósnia durante a guerra separatista dos Bálcãs” e entre 2004 e 2006 foi chefe de missão em Pristina, Kosovo. “Ali consolidou a separação ou independência dessa região, deixando milhares de mortos.”
“Esta decisão que tomamos é uma homenagem à luta histórica de nossos povos há 500 anos, 200 anos, como também há 20 anos. É uma luta permanente contra um modelo econômico imposto de cima e para
fora”, destacou Evo.
Resposta americana
As acusações de Evo contra Philip Goldberg são “infundadas”, declarou um porta-voz americano logo após a declaração do presidente da Bolívia.
Opinião.
Um embaixador que esteve presente na Bósnia entre 1994 e 1996, no Kosovo entre 2004 e 2006 e no fim de agosto se reuniu publicamente com o governador da região separatista de Santa Cruz, Rubén Costas (uma das principais lideranças da oposição ao governo de Evo Morales) é, no mínimo, suspeito.
Boa viagem de volta para o inferno, Goldberg. Ou para os Estados Unidos. Chame como quiser.
